Sindicato debate futuro do trabalho e liberdade sindical no TST
Em painel durante congresso em Brasília, entidade alerta sobre os riscos da gestão algorítmica e da pejotização no país
- Sindicato participou de congresso no TST no último dia 3 para debater direito coletivo, liberdade sindical e novas formas de trabalho.
- Durante encontro em Brasília, entidade apontou que algoritmo automatiza a gestão, mas mantém antigas formas de precarização.
- No entanto, o Sindicato não se limitou ao diagnóstico. Caminho apontado passa pela valorização da negociação real.

No último dia 3, o debate sobre o futuro do trabalho ganhou um contorno diferente no TST (Tribunal Superior do Trabalho), em Brasília. Durante o congresso “Diálogos Internacionais: Relações de Trabalho na Sociedade Contemporânea”, o Sindicato trouxe para o centro das atenções uma verdade inegociável: o trabalho não é apenas uma engrenagem econômica, é a própria base da dignidade humana.
A entidade participou do painel Direito Coletivo, Liberdade Sindical e Novas Formas de Trabalho. O encontro reuniu juristas, pesquisadores e representantes do mundo do trabalho para discutir transformações nas relações diante das mudanças tecnológicas e sociais. Wellington Messias Damasceno, diretor administrativo dos Metalúrgicos do ABC, foi a voz que conectou a história de luta da região à complexidade atual.
O dirigente relembrou que a força que moldou a identidade da classe trabalhadora brasileira — marcada pelas históricas grandes greves do ABC e a fundação da CUT — sempre teve como bússola a liberdade sindical. “Aquela essência permanece viva, mas hoje precisamos aplicá-la em uma realidade onde o invisível também dita regras”, afirmou.
E, quando Wellington fala em “invisível”, refere-se à gestão algorítmica. O dirigente foi direto ao ponto: “O smartphone substituiu o chefe, mas a subordinação é a mesma. O algoritmo pune e exclui”.
Negociação real
No entanto, o Sindicato não se limita ao diagnóstico. O caminho apontado passa pela valorização da negociação real. “No ABC, não discutimos apenas a data-base. Falamos do cotidiano: o conforto térmico, o ritmo exaustivo de produção, os equipamentos de proteção. Isso é humanizar o ambiente de trabalho”, explicou. Essa estratégia de proximidade gera resultados tangíveis: as negociações de 2025 injetaram R$ 346 milhões na economia regional, montante que ultrapassa R$ 1 bilhão ao considerar a PLR (Participação nos Lucros e Resultados).
Ao encerrar, o dirigente fez um alerta contundente sobre o avanço da “pejotização” e as discussões em curso no STF (Supremo Tribunal Federal). Para ele, se prevalecer a ampliação irrestrita desse modelo, o impacto será estrutural. “Não é só o fim da Previdência ou do vínculo. É o desmonte do Estado social brasileiro”, afirmou. Segundo ele, a perda de contribuições afetaria o financiamento da saúde, da habitação, da infraestrutura e da formação profissional.
Para o dirigente, o caminho é a reindustrialização focada no bem-estar, e não na financeirização que desestrutura vidas. O recado final foi claro: “A democracia, dentro e fora das fábricas, exige um movimento sindical vivo, capaz de garantir que o progresso não passe por cima de quem o constrói”.
