Sindicato reafirma importância da luta no Dia Internacional contra a Discriminação Racial

No dia 21 de março de 1960, na capital da África do Sul, Joanesburgo, 20 mil negros protestavam pacificamente contra a lei do passe. Mesmo assim, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186

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O Dia Internacional contra a Discriminação Racial, celebrado em 21 de março, tem como objetivo chamar a atenção para a necessidade de combater todas as formas de racismo. No Brasil, a data também foi instituída como o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé.

No país, onde os negros representam 56,1% da população, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os registros de casos de racismo vêm crescendo. De acordo com os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 2024, houve um crescimento de 127% nos casos registrados em 2023. Foram feitos 11.610 boletins de ocorrência de racismo em 2023, enquanto, em 2022, foram 5.100. Já os processos por injúria racial aumentaram 610% na comparação entre 2020 e 2023, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça.

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“Só quem é uma mulher preta sabe o que isso significa. Os números mostram o quanto estamos na base da sociedade. Por mais que você estude e se dedique, quando está no mercado de trabalho com a mesma qualificação, ainda ganha os menores salários”, ressaltou a diretora executiva dos Metalúrgicos do ABC e coordenadora das Comissões, Andréa de Sousa, a Nega.

“Esse 21 de março foi um dia de reafirmação dessa luta contra o racismo, que nos mata todos os dias. Quando um negro está em um bairro de classe média ou classe alta, é pré-julgado, visto como ladrão. E, quando estamos nesse mesmo lugar vestidos de terno e gravata, ou as mulheres bem vestidas, somos vistos como segurança ou atendentes. Nunca nos enxergam pelo que realmente somos”, destacou ainda.

“Sou uma mulher preta no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, fazendo a luta. Enquanto houver alguém passando por uma situação de discriminação ou racismo, nós, pessoas pretas e também as aliadas, seguiremos juntos na nossa luta. Vamos fazer a diferença”, finalizou.

Racismo no futebol

Foto: Adonis Guerra

O coordenador da Comissão de Igualdade Racial e Combate ao Racismo dos Metalúrgicos do ABC, Clayton Willian, o Ronaldinho, comentou o caso recente do jogador do Palmeiras, Luighi Souza, de 18 anos, que sofreu racismo durante o jogo contra o Cerro Porteño, clube paraguaio.

“Faltou sensibilidade ao juiz, à nossa CBF [Confederação Brasileira de Futebol] e à Conmebol. Isso mostra a importância do dia 21, de dialogarmos com países vizinhos, com a América Latina, em busca de um entendimento de que o racismo é uma violência física em muitos casos e psicológica em todos, causando traumas irreparáveis às vítimas. Por isso, esse dia 21 é tão importante, para que possamos construir uma sociedade mais justa, igualitária e livre de preconceitos”.

Sobre a data

No dia 21 de março de 1960, na cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação especificando por onde poderiam circular. No bairro de Sharpeville, os manifestantes se depararam com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou contra a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Esta ação ficou conhecida como o Massacre de Sharpeville.