Stellantis pode usar tecnologia chinesa da Leapmotor em Fiat e Peugeot
Grupo pode adotar base chinesa em elétricos europeus; decisão impacta planos da Leapmotor no Brasil
A Stellantis estuda um movimento que, até pouco tempo atrás, seria impensável para uma das maiores fabricantes ocidentais: adotar tecnologia de veículos elétricos da chinesa Leapmotor em modelos próprios vendidos na Europa. A informação, revelada inicialmente pela Bloomberg e repercutida por veículos especializados como CnEVPost e Electrive, indica que o grupo avalia incorporar plataformas, sistemas elétricos e possivelmente arquitetura de software da parceira chinesa em carros de marcas tradicionais do portfólio europeu.
Não se trata apenas de vender modelos Leapmotor com logotipo próprio, algo que já faz parte do acordo firmado em 2023, mas de algo mais profundo: usar engenharia chinesa como base estrutural para elétricos europeus. Se confirmado, o movimento marcará uma inflexão relevante na estratégia de eletrificação do grupo, alterando a lógica inicialmente pensada para a atuação global da nova marca chinesa dentro do conglomerado.
A Stellantis já detém participação estratégica na Leapmotor e criou uma joint venture para distribuição internacional da marca fora da China. Até aqui, o plano parecia claro: usar a Leapmotor como porta de entrada para segmentos de elétricos mais acessíveis, especialmente na Europa. Agora, o debate interno parece ter avançado. Em vez de apenas importar modelos completos, a Stellantis avalia se faz sentido aproveitar diretamente a engenharia chinesa para acelerar o desenvolvimento de seus próprios elétricos de volume.
A lógica é pragmática. A indústria chinesa avançou rapidamente em custo por kWh, integração de baterias, eficiência de powertrain e desenvolvimento de plataformas dedicadas. Num cenário de margens pressionadas, guerra de preços e metas rígidas de CO₂ na União Europeia, reduzir ciclos de desenvolvimento e cortar bilhões em investimento interno pode ser mais racional do que insistir em soluções totalmente próprias. Nesse contexto, a adoção de tecnologia chinesa por uma gigante europeia teria valor simbólico. Deixaria de ser apenas uma questão de preço e passaria a representar reconhecimento explícito de liderança tecnológica.
Do Motor1