Trabalhadores na Mercedes aprovam acordo e demissões são canceladas

(Foto: Adonis Guerra)

Os trabalhadores na Mercedes, em São Bernardo, aprovaram em assembleia na manhã de ontem a proposta negociada pelo Sindicato que cancela as demissões anunciadas por telegramas pela empresa. O acordo foi possível após as mobilizações dos trabalhado­res contra as ameaças de demissões de mais de dois mil metalúrgicos.

“A luta e a união dos companheiros garantiram a aber­tura do processo de negociação para construir o acordo”, afirmou o vice-presidente do Sindicato, Aroaldo Oliveira da Silva.

(Foto: Adonis Guerra)

A empresa abriu novo Programa de Demissão Voluntária, PDV, de ontem até 31 de agosto, com valor único de R$ 100 mil mais as verbas rescisórias para todos os trabalhadores, independente de idade, tempo de empresa e se é horista ou mensalista. O acordo aprovado está condicionado à meta de 1.400 adesões no PDV.

“Hoje a realidade na fábrica é de 60% dos trabalhadores com até 12 anos de casa e defendemos um PDV mais atra­tivo para quem não tem tanto tempo de empresa. Vamos acompanhar a situação dia a dia”, contou.

(Foto: Adonis Guerra)

Se atingir a meta, a empresa discutirá outros mecanismos para administrar quem considera excedente com estabili­dade no emprego até dezembro de 2017.

“O principal instrumento será o layoff rotativo para não carimbar ninguém dentro da fábrica com um ‘x’ nas costas. Também serão discutidos os mecanismos de licença remunerada, banco de horas e Programa de Proteção ao Emprego”, explicou.

A fábrica se comprometeu a fazer uma força tarefa para receber as demandas do Perfil Profissiográfico Previdenciá­rio, o PPP, formulário com as informações que dão origem à concessão de aposentadoria especial.

“As negociações foram muito difíceis e não saiam do lugar, já que para avançar, a empresa precisava primeiro cancelar as demissões. Firmamos a posição dos trabalha­dores para sair da inércia e construir uma proposta que desse conta da situação”, disse.

A Mercedes começou a enviar os telegramas de demissão no dia 15 e colocou os companheiros na planta em licença remunerada.

“A empresa achou que impediria o movimento ao pôr todos na fábrica em licença remunerada. Mesmo assim, os companheiros atenderam ao chamado do Sindicato com muita mobilização. O resultado só foi possível com a luta”, concluiu.