Tragédia Anunciada: Empreiteiras sabiam dos riscos da obra do Metrô

Relatório da CIPA do Metrô já havia mostrado os riscos de desabamento do túnel na véspera do acidente. Entidades querem Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia paulista. Para o Sindicato dos Metroviários de São Paulo existe relação entre o modelo de contrato para a construção da linha amarela e os 12 acidentes que já aconteceram desde o início das obras.


Entidades exigem que CPI encontre os responsáveis

Na tarde de ontem, representantes de entidades civis, sindicalistas, associações de bairro e de estudantes pediram a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia paulista para apurar as responsabilidades pelo acidente nas obras da futura estação Pinheiros do Metrô, que matou sete pessoas.

Relatório da CIPA do Metrô apontou riscos de desabamento do túnel, já que suas paredes estavam vergando, pressionadas pelo terreno.

Técnicos mandaram reforçar o túnel com a colocação de tirantes, que são grandes pinos de aço. Mas as empreiteiras decidiram continuar com a obra antes de realizar o serviço.

Na manhã do dia do acidente, inclusive, ocorreram detonações perto do buraco do túnel.

Para o Sindicato dos Metroviários de São Paulo existe relação entre o modelo de contrato para a construção da linha amarela do Metrô e os 12 acidentes que já aconteceram desde o início das obras.

Pelo contrato, o consórcio escolhido para a construção da linha amarela se responsabiliza pelo projeto, acompanhamento e fiscalização da obra.

Vista grossa – “É a raposa tomando conta do galinheiro, com poderes sobre as galinhas e a produção de ovos”, comparou Manuel Xavier, secretário de comunicação do Sindicato dos Metroviários.

Para ele, pode-se esperar tudo do governo tucano e do Banco Mundial, que financia a obra.

“É o sujo falando do rasgado. O contrato dá poderes absolutos do consórcio sobre a obra, que não pode ter acompanhamento de técnicos do poder público”, comentou Xavier.

Essa é a primeira obra contratada dessa forma e a que apresenta o maior número de acidentes, com a morte de um operário e rachaduras em diversas casas. Neste último, sete pessoas morreram e várias casas foram condenadas.

A obra está orçada em cerca de R$ 2 bilhões, dinheiro financiado pelo governo estadual, Banco Mundial e investidores internacionais.

O consórcio é formado pelas cinco maiores empreiteiras do País: Queiróz Galvão, OAS, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e CBPO, subsidiária da Odebrecht.

Metroviários querem paralisar obras

O Sindicato dos Metroviários entrou na segunda-feira com representações nos Ministérios Públicos Estadual e Federal pedindo:

– suspensão das obras até realização de auditoria técnica em toda a sua extensão, para garantir segurança aos trabalhadores e à população. O Sindicato quer indicar técnicos para participar da auditoria.

– anulação do contrato entre o governo do Estado e o consórcio, que adota o modelo conhecido como turn key (pre&c