União Europeia diz que tem ‘muitas cartas’ para reagir a tarifaço de Trump
Na véspera do “Dia da Libertação” anunciado por Donald Trump, a União Europeia declarou que “tem muitas cartas” na mão e um “plano sólido” para reagir ao aguardado tarifaço do presidente americano, marcado para quarta-feira (2). “Nosso objetivo é uma solução negociada. Mas é claro que, se for necessário, protegeremos nossos interesses, nossa população e nossas empresas”, declarou Ursula von der Leyen, na véspera, em um discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
A administração Trump impôs tarifas de 25% à importação de alumínio e aço no mês passado e prometeu taxação semelhante sobre veículos a partir desta semana, um grande problema para as montadoras alemãs, donas de mais da metade da frota exportada para os EUA. O presidente americano promete também anunciar tarifas recíprocas, que ferem as regras da Organização Mundial de Comércio (OMC).
Von der Leyen lembrou do tamanho do bloco em sua fala. “Temos o maior mercado único do mundo. Temos a força para negociar e poder para revidar.” Ela não destacou quais seriam as armas europeias, mas um conjunto de medidas de retaliação ganha contornos desde a posse de Trump, em janeiro. A inclusão do setor de serviços é especulada há semanas na imprensa do continente, abastecida em grande medida por parlamentares europeus e diplomatas de Bruxelas.
Em 2023, a UE registrou um superavit de mercadorias com os EUA no valor de € 156,6 bilhões (R$ 951, 6 bilhões), mas um déficit de serviços no valor de € 108,6 bilhões (R$ 659,2). A depender do pacote a ser anunciado por Trump, o bloco pode fazer uso de regulamentações recentes, como a lei de serviços digitais (DSA) e de mercado digital (DMA), para atingir as big techs, tributar os principais bancos americanos ou restringir a emissão de licenças de empresas do país para fazer negócios na UE.
Da Folha de São Paulo