#VidasNegrasImportam: A luta dos negros pelos direitos civis nos Estados Unidos

Leia hoje o segundo texto da série especial sobre o combate permanente ao racismo e ao fascismo, escrito pelo Departamento de Formação.

Foto: divulgação

As cenas do brutal assassinato do ex-segurança negro George Floyd na cidade de Minneapolis nos Estados Unidos no dia 25 de maio, asfixiado por 8 minutos e 46 segundos por um policial branco, despertou uma enorme onda de manifestações antirracistas em várias cidades do país, se expandindo também para outros países.

A luta pelo fim da escravidão levou os Estados Unidos a uma Guerra Civil também chamada de Guerra de Secessão (1861-1865) que causou 600 mil mortes. A ata de emancipação dos escravos foi assinada em 1º de janeiro de 1863 pelo presidente Abraham Lincoln, mas somente com a 13ª Emenda Constitucional o fim a escravidão foi oficializado. Com o fim da guerra e da escravidão adotaram-se ações de inclusão dos negros chamadas de “reconstrução nacional” (1865-1877), como acesso à educação básica, a cargos públicos e ao voto, assim como, a criação de medidas para que pessoas não voltassem a ser escravizadas.

Na contramão dessas iniciativas, inaugurou-se um período de racismo aberto contra os negros depois do breve período de reconstrução nacional. Com base nos “Princípios dos Estados”, quase todos os estados do sul dos EUA começaram a adotar leis que impuseram segregação racial que perduraram quase 90 anos (1876 e 1865). Essas leis estaduais e locais previam separação de brancos e negros nas escolas, instalações e transportes públicos (ônibus, trens locais e interestaduais, banheiros, bebedouros, hospitais, hotéis, teatros, locais esportivos). Em algumas cidades os negros eram segregados em parques e praças.  Também nos espaços privados esses procedimentos eram adotados (clubes, bares, restaurantes).  Alguns Estados adotaram também leis anti-miscigenação, que proibiam relacionamentos e casamentos inter-raciais.

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Junto com as leis segregacionistas vieram os atos racistas mais violentos contra homens e mulheres negros nas ruas e guetos como: espancamentos, linchamentos, enforcamentos e incêndios. Muitos desses atos eram cometidos por grupos radicais que defendiam a supremacia branca como a Ku Klux Klan. Esse cenário foi respondido com mobilização e organização da população negra que inicia a sua luta pelos direitos civis. Começa-se também a promoção de uma educação racial nas comunidades negras diante da existência de uma política aberta de racismo.

Após a Segunda Guerra Mundial, a luta pelos direitos civis ganhou uma dimensão mais ampla. Em 1955 ocorreu uma grande mobilização em resposta à prisão de Rosa Parks, uma costureira negra que foi pressionada pelo motorista a ceder o seu lugar a um homem branco que entrara no ônibus na parada seguinte. Ao se recusar, foi presa acusada de desobedecer o Código Civil da cidade de Montgomery no Estado do Alabama. A prisão de Parks gerou revolta e protestos, além de um longo boicote às empresas de ônibus da cidade que durou 13 meses e fortaleceu o movimento dos direitos civis nos Estados Unidos, surgindo lideranças que iriam marcar a história americana, como o jovem de 26 anos, pastor protestante da Igreja Batista de Montgomery Martin Luther King Jr e Rosa Parks que ficou conhecida como a “mãe do movimento dos direitos civis

Em 28 de agosto de 1963, cem anos após o fim da escravidão, ocorre a “Grande Marcha por Trabalho e Liberdade”, conhecida como a Grande Marcha para Washington que reuniu 250 mil negros vindos de diversos lugares do país. A Marcha contou com o apoio de várias personalidades e lideranças no campo da arte, da política, do sindicalismo e dos movimentos sociais.

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A lei dos Direitos Civis foi finalmente conquistada em 1964, seguida pela Lei dos Direitos de Voto de 1965 acabando com a política de segregação racial nos Estados Unidos, que significou uma grande conquista para população afro-americana. Mas o sonho do reverendo Luther King Jr. de “que seus filhos não fossem julgados pela cor de suas peles, mas pelo seu caráter” ainda não seria uma realidade, como o seu próprio assassinato em 1968 viria a confirmar.

Nesta terça feira, no 15º dia de manifestações nos Estados Unidos, ocorreu o funeral de George Floyd acompanhado por milhões de pessoas em todo o mundo. A forma indignada como a sociedade americana respondeu ao seu violento assassinato acende um chama de esperança em todos nós. Depois de mais de 400 anos que os primeiro africanos chegaram a América, esperamos que o sonho de Martin Luther King finalmente possa se realizar e possamos testemunhar a derrota efetiva do racismo nos Estados Unidos e no mundo.

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Departamento de Formação